Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Breve Sociologia & Antropologia do Espiritismo no Brasil - O Brasil é a maior nação Espírita do mundo.

Breve Sociologia & Antropologia do Espiritismo no Brasil
por Ligia Cabús


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O Brasil é a maior nação Espírita do mundo, onde se concentra o maior número de adeptos dessa religião. Importada da França no século XIX, a Escola Espírita de Alan Kardec cresceu rapidamente em terras brasileiras, nas mentes brasileiras, incorporando elementos da cultura local.

Nesse país tão propício aos diferentes processos de mistura de etnias, de costumes, o Espiritismo se divide. São duas concepções da interação entre o mundo dos vivos e o mundo do Além. No Brasil existe um espiritismo erudito, estudado e outro, um Espiritismo popular, dos leigos. As duas formas diferem entre si em teologia e liturgias doutrina e práticas. São dois caminhos bem distintos em suas linhas de orientação, em suas fontes de conhecimento, sua estética, sua história e, até mesmo, em seus aspectos éticos.

O Espiritismo erudito brasileiro é Ortodoxo, clássico em relação à observância dos ensinamentos de Alan Kardec, especialmente como expostos na obra fundamental dessa escola: O Livro dos Espíritos. O espiritismo popular brasileiro é uma concepção sincrética [como, aliás, tudo no Brasil]. O Além do povo brasileiro inclui necessariamente elementos africanos e indígenas misturados com a doutrina européia kardecistas e outras ainda, mais recentemente, euro-asiáticas ocultistas. É um fenômeno cultural típico do Brasil mas tem seus similares entre as as religiões afro-indígenas-mexicanas e caribenhas.



Sociologia & Antropologia

Assim como existe a Geografia Humana, também existe uma Geografia Espírita, uma sociologia e uma antropologia dos desencarnados. O mundo espiritual também tem seus arquétipos. Esses arquétipos configuram-se de acordo o ambiente cultural onde é realizado o ritual da invocação de Espíritos ou mesmo sua aparição espontânea. Os Espíritos têm suas preferências ambientais e os tipos que aparecem em diferentes igrejas Espíritas correspondem a tipos humanos, vivos, destacados na vida real, seja de um passado remoto ou mais recente.

Os cultos Espíritas afro-brasileiros são visitados por entidades que têm seu comportamento, sua maneira de ser, definida ao modo dos personagens folclóricos. Esses personagens de sessão espírita estão relacionados a um conjunto complexo de fatores sociais. Todos, de certo modo, retratam a dinâmica socioeconômica local.



Terreiros

Terreiro é uma designação genérica para os locais onde os adeptos das religiões afro-brasileiras realizam suas reuniões e rituais. Esses lugares são, em geral, amplos galpões ou praças anexas a uma Casa ou Tenda [sendo Tenda também uma designação para uma edificação-sede, ou seja, não é uma barraca de lona].

Essas praças, instalações, são freqüentados por espíritos de mestiços chamados Caboclos e Caboclas. Esse tipo humano é entendido como resultado da miscigenação entre nativos brasileiros [amerabas] com brancos europeus [especialmente portugueses, holandeses e franceses] e negros de origem africana. Também são comuns, notavelmente na Umbanda e na Quimbanda, figuras como Caciques e Pajés.

Nas praças e Terreiros da Umbanda e da Quimbanda também aparecem os tradicionais Pretos Velhos e Mães Pretas que, muitas vezes, se apresentam como ex-escravos ou escravos libertos. Esses tipos de espírito correspondem a tipos humanos que, um dia, foram reais e pertencem à História do Brasil Colônia e ao Brasil Império, Reino Unido a Portugal.




O Malandro

O tempo passa e a história do país segue em frente registrando mudanças nos costumes e nos tipos humanos. No Brasil República e durante todo o século XX, os Terreiros, Casas e Tendas da Umbanda e da Quimbanda ganharam novos arquétipos: os malandros, entre os quais, um tal Zé Pelintra ganhou dimensões de padrão de identidade de desencarnados que se encaixam no tipo. O malandro é um arquétipo que apareceu nas zonas urbanas, nas cidade em crescimento. O malandro é um especialista nas coisas das ruas mais suspeitas mas também é amigo dos ambientes mais sofisticados onde o dinheiro troca de mãos rapidamente. Ele tem um charme pessoal e muitos truques em seu chapéu. Freqüentemente, toca violão e canta ritmos populares.



Pomba Gira


Algumas dessas entidades típicas são espíritos femininos, almas daqueles que viveram em corpos e vidas de mulheres. O mais famoso desses arquétipos femininos é a Pomba-Gira. Essas entidades se apresentam como mulheres jovens que sofreram morte trágica e/ou tiveram trágica existência. O tipo da Pomba-Gira é, geralmente, escandaloso.

Foram mulheres que perderam o caminho do bons costumes. São as seduzidas e abandonadas, as que perderam sua honra, ricas ou miseráveis, tornaram-se marginais. Muitas foram abandonadas grávidas em situações clichê. A boa sociedade rejeitou essas mulheres. Seu lugar, como o Malandro, é nas ruas, onde as mais pobres buscam quem lhes pague o pão de cada dia.


Essas mulheres perdidas afogaram seus dramas no fundo dos copos de drinques baratos, nas drogas, na dança frenética e sem sentido. Em alguns casos, a Pomba-Gira viveu um casamento sufocante. Todas morreram em estado de mágoa e/ou inconformismo. Muitas, foram completamente abandonadas por suas famílias, Sucumbiram à pobreza, à tristeza, às doenças.


Almas Penadas

Por tudo o que se sabe sobre aparições de mortos, fantasmas, pode-se entender que essas entidades que se manifestam na Umbanda e na Quimbanda são almas atormentadas de escravos, de nativos humilhados em sua terra. Todos esses Espíritos sentem-se compelidos a permanecer na esfera do mundo dos vivos. Eles são espíritos apegados; irresistivelmente atraídos por seus afetos e desafetos cultivados neste mundo. Entre os vivos, as afinidades se atraem. Os supostos poderes das Pombas-Giras, por exemplo, são procurados por homens e mulheres que não sabem como processar suas emoções.

Os objetivos de adeptos de Umbanda e Quimbanda são, muito comumente: 1. Resolver problemas amorosos, forçando situações por meio da feitiçaria. 2. Vingança, por orgulho ferido, mágoa. São, pessoas e Espíritos que carregam o inconformismo com a rejeição eventual ou, ainda, jamais ficam felizes ou estão felizes com o que têm.

O mesmo processo de apego às pessoas e às experiências terrenas ocorre com outros tipos populares. Porque o apego à vida que se foi, apego a uma identidade efêmera, é a causa principal da permanência de Espíritos desencarnados entre os encarnados; ou seja, não é um processo saudável. O Malandro está sempre envolvido com o marginalidade. É um fora da lei, imerso em bebida, fraudes, mentiras, luxúria. Mesmo os aparentemente tão respeitáveis Pretos Velhos e Mães Pretas são espíritos que solicitam bebida alcoólica e tabaco durante suas incorporações, quando mostram sua sabedoria forjada no fogo do sofrimento de vidas passadas.




No contexto do Espiritismo essas características socio-comportamentais são importantes porque, de acordo os princípios kardecistas, a nível de apego às coisas terrenas é um sinal claro do tipo de mente-Espírito em termos de elevação ética e inteligência emocional. As entidades tão folclóricas do Espiritismo Umbandista e Quimbandista são arquétipos de pessoas comuns: escravos, lavradores, capatazes, o conhecido Boiadeiro, mulheres seduzidas, indígenas e mestiços, chamados de Guias pelos adeptos dessas religiões são fantasmas, assombrações, como qualquer fantasma. Na Quimbanda e na Umbanda a mitologia puramente africana emerge sem força com sua identidade distorcida pelas influências européias e pelas circunstâncias peculiares de formação das doutrinas [ambiente leigo, popular].


Exús

O legado africano mais importante para o pensamento religioso da Umbanda e da Quimbanda é o Exu. No panteão de deuses da África tribal Exu é uma divindade proeminente. É um tipo análogo ao Hermes grego. Exu é o Mensageiro, intermediário entre homens e deuses. Na Umbanda e Quimbanda, intermediário entre os vivos e os mortos. Enquanto no Candomblé Exu é um filho de um deus, na Umbanda e na Quimbanda existem muitos Exus, em muitos cultos, sincretizado com a figura do malandro. Estes Exús umbandistas e quimbandistas não deuses; são espíritos também, meros mensageiros que servem aos sacerdotes e/ou líderes dos cultos.



Candomblé

O pensamento religioso da África tribal está mais bem preservado no Candomblé. Na doutrina e liturgias do Candomblé as forças das entidades permanecem transcendentais. São deuses porque são poderes da Criação e da Transformação de Todas as Coisas. No Candomblé, as entidades não são simples Espíritos. São Grandes Espíritos! Muitos, são representações de forças da Natureza. Outras, são ancestrais nobre, legendários: patriarcas, reis, rainhas, guerreiros, heróis. Incorporam o que há de melhor e de pior na Espécie Humana. Suas virtudes e vícios. são os Orixás. Deste modo, o Candomblé permanece, em si mesmo, muito distante do Espiritismo e mais próximo [o culto, o ensinamento] da Teologia mais elaborada das grandes religiões do mundo.



Kardecismo



O Espiritismo encontrou um lugar respeitável na sociedade brasileira através da doutrina de Alan Kardec. Em uma época de catolicismo severo, quando o que não era cristão era pagão no pior sentido do termo, a sistematização das idéias e a linguagem consistente e coerente com o Cristianismo, o verniz da erudição na obra impressa de um francês, abriu as portas de todas as classes sociais e também portas católicas para a aceitação mais ou menos pública da crença na Reencarnação, no ciclo de muitas vidas.

Mas nas sessões espíritas kardecistas brasileiras os convidados não são figuras folclóricas, não! Ali aparecem fantasmas históricos. Espíritos de personagens notáveis de diferentes épocas e lugares do mundo. Os kardecistas recebem espíritos de celebridades eruditas: filósofos, escritores, padre, papas, freiras, santos, anjos, médicos, artistas em geral. Espíritos de desencarnados como Platão e Sócrates.

Recentemente, mediuns espíritas afirmam terem feito contato com o espírito do Rei do Pop, Michael Jackson,no espaço virtual da Rede Mundial de Computadores. Como é moda, logo outras celebridades pós-modernas estão falando por meio da internet. Ainda teremos o mouse-Ouija ou o painel digital Ouija [Tábua para comunicação com Espíritos]. Coisas do Agora, coisas da pós-modernidade. Meditemos...

Desde que a religião Espírita chegou ao Brasil com sua origem francesa, uma parte dos intelectuais católico-cristãos adotaram a idéia. Logo abriu-se o campo para o advento e desenvolvimento da Literatura Espírita Brasileira em seu mais curioso gênero: os livros Psicografados ou seja, elaborados pelo processo mediúnico conhecido como Escrita Automática. Os autores dos livros são desencarnados. São Espíritos que se utilizam do corpo do medium para falar [ditar] ou escrever suas obras. Os títulos de literatura psicografada não numerosíssimos no Brasil. Somente Chico Xavier [1910-2002], o mais famoso medium do país, escreve, ou melhor psicografou centenas desses livros.


fonte:
http://www.sofadasala.com/ocultismo/espiritismo01.htm

publicado por luzdecuraeamor às 20:04
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