Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

As Raças dos Espíritos de Deus - parte 1

As Raças dos Espíritos de Deus
por Ligia Cabús


LINKS RELACIONADOS:
Bardo Thödol: O Livro dos Mortos Tibetano ─ estudo do texto
Büthas: Prisioneiros do Passado
Kama-Loka & Devakhan: O Post Mortem Segundo a Teosofia
Mundos Mentais: Devakhan, Morada dos Devas ─ por C.W. Leadbeater | Trad. Ligia Cabús





A questão da existência, ou não, de vida inteligente extraterrestre [em outros planetas, sistemas, galáxias], vida intraterrestre, nos subterrâneos, nas profundezas do mar ou, ainda, vida meta-terrestre ou meta-dimensional [habitantes de outras dimensões de existência, de universos paralelos], essa idéia, tendo ocupado definitivamente seu lugar entre os campos da investigação científica, é um tema que agora se organiza em disciplinas específicas, especializações como a Exobiologia, a Arqueologia Astronômica ou mesmos os delirantes, posto que não são fundamentados, estudos especulativos de Exopolítica!

Nesse contexto emergem personagens cuja realidade, embora não comprovada, não os impede de tornarem-se populares, verdadeiros mitos contemporâneos. São eles, especialmente, os reptilianos e os pleiadianos, que já têm uma "história" de serem tradiconalmente rivais, protagonistas cósmicos do eterno conflito do velho Maniqueu [Antigüidade, Pérsia]: o Bem contra o Mal, Treva contra Luz. Os ufólogos-exobiólogos falam muito dessas Raças de alienígenas entre as quais ainda reconhecem subraças, híbridos, mutantes diversos e tipos mais raros ou inexplicados [como os foofighters].

Enquanto se acumulam as hipóteses sobre os alienígenas, entre livros, ensaios, revistas, fotografias, supostos"comunicados", textos e grupos de estudo, tudo disponível na internet, nada se diz, todavia, sobre as "Raças" de Espíritos que se manifestam nos diferentes corpos materiais dos seres inteligentes [animados com autoconsciência, segundo o Livro Tibetano dos Mortos] que habitam os inimagináveis planos ontológicos - que são ESTADOS de Ser e Estar - coexistentes, simultâneos no Universo. Os habitantes das "muitas Moradas" do Criador.


Espíritos



A ciência ocultista e os mais antigos mitos cosmogônigos descrevem o Princípio de Todas as Coisas de modo muito semelhante à Astrofísica contemporânea. Muitos antes da teoria do Big Bang aparecer, os relatos arcaicos já falavam de um Ser que estava só, o Grande Espírito. Este ser, feito de enigmática energia, ao se sentir só e ao lamentar-se porque está só, manifestou seu desejo de SER mais de um e assim tudo foi imediatamente criado. O Espírito, matéria inerte e escura, foi "ativado", "acordou" colocou-se em movimento manifestando uma Vontade Suprema. Essa Vontade criou o "torvelinho", o Fohat, o primeiro Espírito agente, que movendo-se em círculos, deu forma e sentido aos primeiros agregados de partículas energéticas espirituais que, muitas rotações depois, chegaram a ser a matéria bruta como a que se conhece em planetas como a Terra e em outras modalidades, desconhecidas dos seres humanos.
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Os Espíritos dos seres [vivos e brutos], embora sejam, em última instância os próprios seres, em si mesmos, despidos de toda e qualquer adaptação e/ou "vestimenta" ambiental, são, eles, os Espíritos, a realidade primeira e última mais misteriosa do Universo, ao menos para os homens do planeta Terra. Ninguém - em nível de conhecimento científico, comprovado - sabe do que são feitos, como surgiram no contexto da Criação ou quantos são em todo o Cosmos. Alguns crêem que Deus cria uma nova alma [termo que será utilizado aqui como sinônimo de Espírito] a cada ser ou cada criança que nasce no mundo. Os Teósofos, ao contrário, afirmam que todos os espíritos são contemporâneos ao Big Bang e cumprem longa jornada de mudanças e aperfeiçoamentos ao longo da Eternidade [que, na verdade, teria sim, um fim, quando toda a matéria universal se reúne e entra em estado de latência/repouso [chamado PRALAYA]; ou seja, volta a Ser Uno e Só e muito quieto...

Sendo os Espíritos uma realidade ou ao menos possibilidade sempre renegada ou desdenhada pela ciência objetiva contemporânea [embora aceita pela ciência da Antiguidade], praticamente tudo o que se sabe sobre esta FORMA DE SER é conhecimento herdado de culturas mágicas e religiosas muito antigas; e quanto mais antiga a tradição, mais detalhado se mostra o panorama da existência além desta vida e menos fantasiosos são os relatos que descrevem tanto o post-mortem quanto a "pré-vida-planetária".

Enquanto os católicos falam de Paraíso, de uma Jerusalém cujas calçadas são feitas de pedras preciosas; muçulmanos deliram com jardins cheios de árvores que se inclinam oferecendo as frutas e numerosas virgens perpétuas para satisfazer os desejos sexuais dos bons fiéis desencarnados e, ao mesmo tempo, enquanto tais religiões descrevem infernos escaldantes repletos de carrascos incansáveis; enquanto isso, o velhíssimo Bardo Thödol [Budismo Bhramânico-vedantino + religião Bön-Pá de tradição Tibetana], conhecimento milenarmente mais antigo que as escrituras judaicas, cristãs e a farsa islâmica do Alcoorão, o Livro dos Mortos Tibetanos fala do ESTAR em um NÃO-LUGAR experimentando diferentes ESTADOS MENTAIS e DISPOSIÇÕES PSÍQUICAS que determinam as sensações e percepções do além túmulo e as condições de uma próxima vida.

É uma situação na qual o Espírito, despido de todas as referências biográficas da vida passada em determinado mundo, exceto as eventuais culpas, remorsos e/ou virtudes e alegrias que permanecem em sua memória, acha-se em um estado livre de forma [exceto aquela que ele crê possuir]: esta situação é chamada de Estado Intermediário, tradução precisa dos termos Bardo Thödol [Estado de Bardo, Estado Intermediário]. Em estado Bardo o indivíduo fica naquela condição que os kardecistas chamariam de "espírito errante" - no sentido de sem rumo, sem orientação, sem padrões de modus vivendi, sentido, significado para existir.



Seres Auto-Conscientes



Uma daquelas coisas que ninguém sabe é quando, como e porquê este ou aquele Espírito [que pode ser entendido com Unidade Egóica], criado em simultâneo com a criação do Universo, encarnou-se ou materializou-se [atomizou-se e molecularizou-se?] pela primeira vez. Ninguém, sobretudo, sabe porquê, uma unidade Egóica de essência Divina, deixando a realidade subatômica de SER energia PURA para entara em uma relação de união integrada com uma forma-corpo constituído de matéria planetária e sujeito a uma série de limitações, ruins ou menos piores, dependendo da categoria de ser no qual ele se converta em função de seus apetites e tendências.

Essa disposição de colocar a si mesmo em estado de impureza em troca de certas experiências sensoriais é o que a mitologia de muitos povos entende como "a queda do Homem [ou do Espírito na matéria que, absolutamente, não se confunde com a mitológica Queda dos Anjos]. Apesar das incertezas e ignorância sobre as evoluções [a movimentação, a conversão, as transformações] dos Espíritos em meios materiais, a ciência oculta tem preservado por milênios o dogma que descreve esse fenômeno, pelo qual passam todos os Espíritos: vivências/experiências, entre a materialização e a desmaterialização mais ou menos densa e pesada:

O Sopro torna-se pedra;
a pedra converte-se em planta;
a planta em animal; o animal em homem;
o homem em espírito e o espírito em um deus
[BLAVATSKY, 2000]




O que antigo axioma está dizendo claramente é todo Espírito autoconsciente neste tempo presente já foi, um dia, pedra, planta, animal, homem e será novamente Puro Espírito e enfim, uno com Deus, "um deus". Outra forma de dizer isso é admitir que todos os Espíritos experimentam todos os Reinos da Naturezas Física e Metafísicas [planetárias e dimensionais] do SER: mineral, vegetal, animal em todas as suas manifestações intermediárias.

Fantasmas & Elementais: Tanto entre as grandes religiões [Cristianismo, Islamismo, Budismo] quanto entre os cultos regionais mais primitivos a idéia de Espírito foi desgastada pela distorção das informações, que transformam ritos religiosos em práticas de superstição. O entendimento de Espírito mais difundido é restrito, associado genericamente a: 1. seres humanos desencarnados; 2. seres elementais, habitantes dos quatro elementos [para alguns cinco: água, terra, fogo, ar, éter] que atuam de forma imprevisível, tando benéfica quanto maléfica.

Na esfera do conhecimento popular e especialmente na doutrina do cristianismo católico e do terror Islâmico, que vê o diabo em toda parte, todas essas criaturas, sejam fantasmas ou elementais, são demoníacas e relacionar-se com tais seres é, essencialmento, claro, pecado! Com menos escândalo e terror pode-se dizer mais acertadamente que relacionar-se com desencarnados e/ou elementais é tão desnecessário quanto pouco saudável; isso quando não se torna uma aventura perigosa, portal para a insanidade mental.

Muito populares deste mundo ou mundos invisíveis são os Anjos, os seres que estão mais próximos do Altíssimo, agentes do bem contido em toda Vontade Divina [ainda que essa Vontade pareça, por vezes, produzir uma catástrofe], desempenham as funções cósmicas de mensageiros e guardiões [combatentes mesmo] do Reino de Deus. Os Anjos estão presentes nas doutrinas judaica, cristã e muçulmana, apresentados em uma hierarquia de poderes e atribuições. A classificação mais aceita distingue nove categorias de Espíritos Angelicais, os "Anjos":

Os serafins, são anjos muito diferentes da imagem popular. São descritos criaturas de grandes dimensões, dotados de 3 pares de asas.


Serafins

São "supercelestiais. Os mais próximos do centro do Ser Criador. Trabalham com a Providência Divina. Seu instrumento é a Bondade.

Querubins

Trabalham com a essência de Deus, [que é Mente] e confere aos Epíritos de Deus humanos a luz intelectual, o poder do conhecimento e da imaginação que permite ao homem contemplar as coisas divinas

Tronos

Trabalham com a Sabedoria de Deus [o conhecimento eterno de Todas as Coisas], são a memória e o raciocínio do Universo aberto àqueles que conseguirem acessar o "Livro da Eternidade".



Dominações

Diretamente ligados à regência das coisas do Mundo, essas três categorias são dirigidas pela primeira, as Inteligências das Dominações. Interferem nas questãos dos conflitos entre os homens. Protegem [os justos] contra inimigos domésticos [ou seja, aqueles que estão mais próximos de nós].


O Arcanjo Miguel, general das Milícias Divinas, é um dos mais conhecidos Arcanjos da mitologia cristã


Virtudes

São "ministro do céu que às vezes conspiram para realizar milagre". Trabalham junto às Humanidades para que escolham antes a virtude do bem desprezando os vícios que corrompem a essência do Ser.
Potestades

Eliminam manifestações fenomênicas que ameacem perturbar a "lei divina". Monitoram toda violência que destrói viventes em estado corpóreo, considerando todo corpo como veículo, parelho físico de um Espírito, como "Tabernáculo de Deus", morada de Deus.


Principados

São os primeiros daqueles que são considerados, por muitos ocultistas, como pertencentes à hierarquia inferior, significando que estão ainda mais perto dos Espíritos encarnados em Planetas mais ou menos densos. São regentes da vida prática na esfera do controle dos seres humanóides sobre "as coisas', matérias, materiais, elementos, meio-ambiente, e controle seu prório ser. Os Principados estão ligados ao equilíbrio cibernético cotidiano. Meditemos...

Em Agrippa, Principados, Arcanjos e Anjos são definidos como "espíritos ministrantes que descem para cuidar das coisas inferiores. Principados, especificamente, ocupam-se do interesse público, dos príncipes e magistrados, províncias, reinos, Estados e tudo o que lhes pertence" [AGRIPPA, 2008 - p. 661].

Arcanjos

Presidem os rituais sagrados, inspiram o sentimento de adoração a Deus, orações, penitências e todas atitudes de caridade e fraternidade. Também estão ligados à relação do homem com a Natureza; podem comandar os animais do campo, os peixes, as aves.

Anjos*

Finalmente, os Anjos, estes, tão mais populares que parecem engolir todas as categorias, cuidam de coisas pequenas [mas a vida do homem na Terra está repleta de coisas pequenas...]. Também são guardiões específicos de plantas e pedras "e todas as coisas inferiores". Ministros mediadores são, sob esse aspecto, aqueles mensageiros que com tanta freqüência aparecem nos relatos de textos sagrados. "Mensageiros da Vontade Divina, intérpretes da mente de Deus" [AGRIPPA].



* Os Anjos propriamente definidos são apenas uma entre essas nove categorias de seres celestiais, a mais inferior por sinal, o que significa, mais distantes de Deus, segundo a teologia cristã. O termo Anjo foi tomado como termo geral, para referência a qualquer ser de qualquer uma das categorias daqueles seres que são considerados como uma espécie de equipe de trabalho do Criador, milícia de Deus.


Espírito: o Onipresente


Sejam fantasmas, elementais, anjos ou demônios, até aqui, o senso comum concebe a idéia de Espírito como algo que evoca o sobrenatural nas visões lúgubres e cadavéricas das "assombrações" ou às imagens de seres etéricos, luminosos, vaporosos, "divinos". Todavia, na esfera do conhecimento esotérico, onde a raíz das palavras e das realidades últimas não se perde, nesse âmbito, Espírito se refere à Individualidade, seja do Único, do Todo, antes do alvorecer da manifestação em Universo, seja Individualidade de cada um dos seres manifestados em seus peculiares graus e qualidades de sensibilidade, percepção, consciência e inteligência; em uma escala de evolução que, no caso dos seres brutos [como as pedras, os minerais em geral], chega muito perto do grau zero. [Em outras palavras, até onde se sabe uma pedra não sente dor nem fica "chateada" se alguém da uma "bicuda" nela; isso não quer dizer que ali, naquele rocha, não habite um Espírito aprisionado em virtude de um estágio evolutivo de Ser bruto].

O "Grande Arcano", que o ocultista francês Eliphas Levi resume na frase "É a divindade no Homem"; a Verdade simples que poucas pessoas conseguem absorver apesar da singeleza do enunciado é que o Espírito é Tudo ─ é o Todo, em tudo está e a tudo permeia, perpassa, enquanto a tudo constitui na total consiguração do SER de todas as coisas, seja a estrela mais brilhante do Cosmos, seja um microorganismo menor que um grão de talco ou, ainda, a energia que move fenômenos da Natureza como a trajetória de um cometa ou uma corrente de vento.

O Espírito Unidade, quando em movimento, gera diversidade. O movimento é deflagrado pelo pensamento do Um; palavra na mente do Um, pequena frase que diz EU SOU. Uma afirmação que põe em movimento a vastidão indiferenciada do Ser primordial [o negro "Abismo das Águas"] gerando, assim, a multiplicidade de seres. Cada ser, Espírito-unidade [que os esotéricos chamam mônada] surge [porque não "nasce", resulta de uma reação físico-química] tosca, insensível. Mas a mônada bronca tem Eternidades para evoluir ao longo de sua existência, conduzida pelo movimento universal, que consiste na interação dos seres em trajetórias circulares, sejam esferoidais, elípíticas ou espirais, girando a diferentes velocidades, em diferentes condições de temperatura e pressão. É o caldeirão cósmico mexido pelo primeiro pensamento de Deus.

Para a mônada, o importante é que pode demorar uma centena de Manvataras [Eternidades de manifestações do Universo] porém, em algum momento, depois de muito "sofrer" [no sentido de experimentar e ser provocada pelas experiências] - sofrer, com os acidentes e intempéries na jornada de meramente existir, ela, a mônada, alcança uma condição de sensibilidade. [E a partir daí "sofrerá" ainda mais intensamente]. O Espírito-mônada adquire percepções, consciência vaga e, enfim, consciência de si mesma, germe da inteligência. Tornou-se uma "Individualidade Egóica", um "EU SOU" e somente por ter chegado a esse tipo de consciência os Espíritos Egóicos já começam a manifestar a condição divina que pulsa em suas origens. Não é mais mônada, é Manas.


Tudo É Mental


O primeiro princípio da filosofia do mítico Hermes Trimegisto enuncia: "Tudo é Mental". Este lugar, chamado Universo ou Cosmo, palco de tantos acontecimentos protagonizados pelos Espíritos Egóicos, é um lugar/não-lugar, é um espaço gráfico, numérico até, mas não, de fato, mas não geológico ou geométrico, mas instância de SER, de natureza mental, onde coexistem diversos planos mais ou menos adequados a diferentes estados ontológicos [de SER]; são os diferentes "Mundos".

Mundos mentais, constituídos de matéria mental agregada pela força da manifestação mental que é o PENSAMENTO-PALAVRA. E não mais o pensamento primordial D'Aquele Que Estava Só, mas pelos pensamentos, gerados por sensações-emoções justamente dos Espíritos Egóicos, os Espíritos-Manas, os "EU SOU" e seus devaneios em torno das condições de "Eu Estou..." E conforme se agregam, reúnem-se pela afinidade dos pensamentos semelhantes, esses pensamentos, as emoções, formam os Reinos e os mundos correspondentes, "temperados" por estes pensamentos; ambientes, que vão dos infernos aos céus passando pela Terra [e/ou outros planetas fisicamente habitáveis por seres humanos].


Raças de Espíritos


Os Espíritos Egóicos, os seres animados autoconscientes [em oposição aos brutos, inconscientes], habitam, portanto, numerosos mundos e embora no contexto da cultura popular sejam conhecidos como anjos, deuses, homens, demônios, seja qual for a teologia, é fácil perceber que todos estes seres têm traços em comum do ponto de vista anatômico-morfológico e psicológico. Todos parecem ter a forma-base dos corpos estruturada no padrão pentagrâmico [cindo extremidades, estrela de cindo pontas] ─ cabeça, tronco, membros e postura mais ou menos ereta, [bípedes]. Isso poderia caracterizá-los, todos, como humanóides [do ponto de vista de espécie humana]; ou, quem sabe, são todos "divinóides", "teomórficos", do ponto de vista da etnografia metafísica dos seres autoconscientes.

A Teologia e a Teurgia judaico-cristã distinguem a massa de Espíritos autoconscientes em três tipos bem definidos: Anjos, Homens e Demônios. Os Anjos, Espíritos despaixonados que agem pelo bem e sempre no cumprimento da Vontade de Deus; os Demônios, discípulos/seguidores de uma legião de Espíritos angelicais rebeldes, segundo a lenda, liderados pelo Anjo Lúcifer [que seria um Serafim, pois era da mais alta patente] ─ mais tarde chamado Satanás, que significa "adversário". Uma alegoria evidente indicando que a Raça dos Anjos [que os tibetanos reconhecerão como Devas], embora sejam, em geral imparciais, também estão sujeitos à tentação da divisão interior, da dúvida diante de uma escolha.

Finalmente os Homens, protegidos pelos anjos, tentados pelos demônios, são tradicionalmente descritos como "feitos à imagem e semelhança" de Deus, microcosmo. Estes seres hesiantes, sempre confrontados com a dificuldade de escolher entre o certo e o errado, na teologia cristã, com todos os elementos herdados do maniqueísmo persa, os Homens, mais se parecem com troféus sendo disputados pelas duas forças que Maniqueu acreditava que regiam o Universo: o Bem e o Mal..

A doutrina judaico-cristã apresenta esse esquema bem simplista, de três categorias ontológicas, para representar a "demografia" dos Espíritos Egóicos. No Tibete, o budismo propõe um quadro bem mais complexo porém mais verossímel, distinguindo cinco perfis psicológicos que caracterizam as cinco Raças dos "Espíritos de Deus". É uma diferenciação que os tibetanos utilizam por comodidade didática pois não há limites fixos entre um e outro tipo psicológico independente do meio físico adequado como habitat. O que define a essência dominante em um Espírito egóico esteja ele num inferno, numa Terra ou num céu, é predominância de tendências psicológicas-comportamentais, de ser, sentir, de pensar, agir e reagir.

continua aqui:
As Raças dos Espíritos de Deus - parte 2

fonte:
http://www.sofadasala.com/ocultismo/racasespirituais.htm
Bibliografia

AGRIPPA DE NETTESHEIM, Henrique Cornélio. Os Três Livros de Filosofia Oculta. [Compilação e comentários de Donald Tyson. Trd. Marcos Malvezzi] ─ São Paulo: Madras, 2008.
BLAVATSKY, H. P.. A Doutrina Secreta ─ vol. I. [Trad. Raymundo Mendes Sobral]. São Paulo: Pensamento, 2000.
........................... Glossário Teosófico, vols. I & II online ─ In E-Snips Livros Esotéricos ─ acessado em 15/02/2009
DEVAS. In WIKIPEDIA ─ acessado em 03/01/2009
LOCHTEFELD, James G.. The Six Realms of Existence: setembro de 2005. In Carthage College Personal Webhosting Sever, Kenosha/Wisconsin ─ acessado em 03/2/2009
PEREIRA ALVES, Sérgio. Os Reinos do Dharma ─ acessado em 14/02/2009.

LINKS RELACIONADOS:
Bardo Thödol: O Livro dos Mortos Tibetano ─ estudo do texto
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edição: L. Cabús ─ fevereiro, 2009
editoria: mahajahck@hotmail.com

publicado por luzdecuraeamor às 19:31
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